FRONTESPICIO
A falar é que a gente se desentende…Publicado por Orlando Dias de Carvalho em Set 08, 2009, em Sem categoria
DESTA ÁGUA… SIM, BEBEREI !
Tudo nela era feio, disforme, sem gosto nem postura. Não havia nada que pudesse chamar a atenção de qualquer homem. Rosto anguloso e mais grosseiro que uma bota da tropa, nariz de papagaio, olhos de coruja, pele macilenta… Corpo sem charme, sem substância nem essência – e sem mamas.
Seria mesmo mulher? De mulher tinha o nome, por sinal também pouco interessante: Lucrécia.
Quando a vi a primeira vez, interroguei-me de onde teria saído aquilo… Nunca tinha visto tal coisa! Achei que deveria estar a ver mal, ou toldado por qualquer substância alcoólica, mas eu até nem bebo. Como ainda não tinha comido nada, pensei que fossem alucinações provocadas pela fome. Ou, então, estaria eu a ser atacado pelo Alzheimer, que já me fazia esquecer como era, na realidade, a beleza feminina?
Ao cruzar, uma vez, com ela, no passeio, fiz de propósito para lhe tocar disfarçadamente, só para ter a certeza que não era uma miragem… mas, afinal, existia mesmo!
Uma coisa me chamou a atenção: era muito limpa e cheirava bem, usava um perfume discreto e de boa fragância.
De repente, e vá-se lá saber a razão, ocorreu-me uma ideia e um desejo: eu tinha que fazer amor com aquele morcego, com aquela espécime rara e já em risco de extinção! Porquê? Apenas por curiosidade. E para contar como foi…
Não me despertava, de início, qualquer emoção, e a minha libido permanecia insensível, mas, inexplicavelmente, fui sentindo, progressivamente, uma enorme vontade de experimentar, de usar, e, se fosse caso disso, de abusar daquela coisa que não se me afigurava como um ser humano. Não seria uma boneca insuflável, mas mal desenhada e concebida?
Aquela criatura poderia ser sexualmente insonsa, ou, então, pelo contrário, revelar-se algo de surpreendente. A experiência diz-me que, nestas casos, nunca se sabe a surpresa que nos espera.
Possuí-la tormou-se, para mim, mais do que um objectivo, uma verdadeira obsessão. Não pensava noutra coisa. Persegui e prossegui, rodeei e acompanhei, fiz-me presente e constante, cruzei e atravessei, atrasei e avancei passadas de aproximação, fiz tudo e mais do que isso.
E, tanto andei, que lá cheguei. Era um incógnita, não sabia o que ia encontrar, mas decidi avançar. Aquela mulher era como uma vazilha fechada, em que nunca se poderia saber o que tinha lá dentro.
Pensei nisso mesmo: imaginei que, no seu interior, tanto poderia ter nada, como qualquer coisa prestes a rebentar. Então, num acto de pouca lucidez, mandei fogo lá para dentro, para ver se tinha algo que pudesse explodir.
Pummm! Aiiiiii! E não é que tinha mesmo!!!…
Fazer amor com aquela mulher foi uma autêntica explosão de emoções e sensualidade. Se calhar, ela, para ser assim tão feia e tão desprovidade de atributos essencialmente femininos, até tinha alguma percentagem e mistura de hormonas masculinas, mas quero lá saber! O que importa é que foi bom, muiiiinto bom!…
Publicado por Orlando Dias de Carvalho em Ago 16, 2009, em Sem categoria
CHOVER NO MOLHADO…
Lá longe, naquela terra quente e acolhedora onde vivi, cresci, estudei, onde me formei e fiz o homem que hoje sou (e, se não sou grande coisa, a culpa não é da terra!…), a temperatura, invariavelmente alta, puxava por nós… e por elas, fazendo com que andássemos sempre em permanente ebulição, com as emoções bem ao alto – as emoções e o resto.
Ela era minha vizinha, porta a porta. Pequenina e agradável à vista, embora não fosse o meu tipo de mulher. Claro que em tempo de guerra não se limpam armas, mas fui sempre, toda a vida, muito selectivo. E, como tinha fartura, andava sempre de barriga cheia, passavam-me despercebidas determinadas achegas…
Havia, realmente, pormenores que eu não valorizava: o facto de ela estar quase sempre presente; de se atravessar, muitas vezes, no meu caminho; de sorrir sempre que me via; de me olhar com um ar voluptuoso e insinuante…
Na verdade, um dos maiores males do mundo é que, muita gente, costuma olhar para longe, para um horizonte distante, desleixando o que lhe está próximo, e que, às vezes, é maravilhoso. Até que alguém, como eu, com uma visão periférica mais abrangente, consegue abocanhar a fruta. Depois, os outros, ou a comem sem relutância por não saberem, ou por não serem esquisitos, ou até por comodismo ou conveniência…
Mesmo a cair de madura, esta não foi fácil de colher. Fez render o peixe, o que me despertou ainda mais o desejo.
Voltando à realidade, para poder estar com ela não podia ser na minha casa. Para evitar surpresas indesejáveis, tinha que ser na dela. E foi. O marido estava a trabalhar, não viria tão cedo.
Entrámos, dirigimo-nos ao quarto, entretanto já enrolados um no outro, e, depois, olhem, nem vos digo nada… Tentem imaginar! Foi muito mais e melhor do que as vossas mentes perversas estão para aí a cogitar! Ela parece que tinha um desejo recalcado há muito tempo, o de fazer amor comigo, e deu largas aos seus devaneios, com loucura.
A vagina era pequena, com nervuras que envolviam o pénis, e que acicatavam o desejo e o prazer, e o buraco dava a ideia de ter uma argola, bem consistente, que parecia dificultar a entrada, mas que dava gozo e excitação. Aquilo era do melhor!!! Quem diz que, nas mulhers, aquilo é tudo igual, nunca passou além da taprobana, nunca comeu mais do que lhe puseram à frente todos os dias, nunca disfrutou mais do que a propria mulher, e, às vezes, nem essa…
Aquela sessão de altruismo (altruismo sim, porque eu estava, como é meu hábito, a fazer um trabalho que outro deveria fazer, mas de que não era capaz, por esta ou aquela razão…), estava a correr pelo melhor, estava a saber divinalmente, estava a ser prolongada propositadamente para dilatar o extase, até que…
Até que se ouviu o barulho do motor de um carro, a parar à porta. Quem seria? Seria chuva, seria vento? Deixa ver… Aiii, caraças, era o marido dela! E logo naquela altura!…
Foi a primeira vez, na minha vida, que saltei, todo nú, com a roupa na mão, de uma janela abaixo. Por acaso, e por sorte, aquela era no rés-do-chão. Imaginem se não era!…
Fiquei traumatizado para o resto da vida, e, a partir daí, nunca mais fiz amor com nenhuma mulher na casa dela. Sinto-me desprotegido, e perco a tesão.
O marido, meu vizinho e amigo, nunca chegou a saber. Aquilo, também, depois de lavado, não se nota nada… E, depois, para um homem, qual poderá ser o problema de partilhar a mulher com outro, repartindo, diluindo, e suavizando a sua obrigação marital, por vezes tão dolorosa (comer couves todos os dias, bahhhh!…), e, assim, dar um novo “elan” ao seu relacionameto familiar?
Eu sou totalmente a favor desta ideia. Acho que assim é que todos os homens deveriam pensar e agir, para evitar azias e más disposições… Penso que repartir a mulher com outros homens não tem qualquer entrave, desde que…
Desde que essa mulher não seja a minha.
Que é que queriam? Pensam que eu sou o quê? Vão mas é mamar na quinta perna de um burro!!!…
Publicado por Orlando Dias de Carvalho em Jul 03, 2009, em Sem categoria
QUE MULHER!!!…
É bonita, sensual, olhos expressivos, cabelo espesso, bem tratado e agradável ao tacto. Impulsiva, demasiado impulsiva, impaciente, nervosa, com a auto-estima por vezes bastante em baixo, sem razão para isso.
Aquela deliciosa morena (a Ana pediu-me para não mencionar o seu nome…), ainda relativamente jovem, tem o sangue na guelra, é fogosa, mas, sendo, todavia, de uma ternura e meiguice inigualáveis, deixa qualquer homem desarmado.
O nosso primeiro encontro, para conhecimento mútuo, foi muito curto, porque estava nervosíssima, assustada, ansiosa. No segundo contacto, já tomámos um café com alguma tranquilidade, embora eu lhe notasse ainda algum tremor nas mãos.
Fiquei encantado com ela. Mas algo, em mim, a perturbava, levando-a a desejar afastar-se. Contudo, ao mesmo tempo, disse-mo depois várias vezes, eu despertava-lhe uma sensação que nunca soube explicar, que a puxava irresistivelmente para mim, que a seduzia, que a fascinava.
Durante bastante tempo, tentou várias vezes, umas cinco ou seis, entrar em minha casa, mas nunca o conseguia, porque, morando ela a poucos quilómetros daqui, e havendo cá muitas pessoas conhecidas e conterrâneas, isso amedrontava-a, de tal maneira, que a única forma que encontrava para dissipar esses seus medos era fugir… Fugiu sempre, e isso deixava-a aliviada por uma lado, mas constrangida por outro, porque o seu desejo era estar comigo, ter relações sexuais comigo, e essa contradição perturbava-a e desorientava-a, ao ponto de me telefonar a chorar convulsivamente…
Nunca insisti muito, munca forcei nada. Eu interpreto bem os sinais de fumo, sou perspicaz, intuitivo, e sabia que o destino dela estava traçado, e que, mais tarde ou mais cedo, cairia, de madura, nos meus braços… e na minha cama. E assim foi.
O nosso primeiro contacto para consumação sexual foi surrealista. Aquela mulher é um vulcão em permanente erupção, um terramoto, um tufão – leva tudo à frente. Quer ser ela a comandar as operações, tem fetiches esquisitos, e estou convencido que gosta mais de pôr em prática as suas fantasias sexuais do que de passar à acção…
Foi largando roupa desde a sala até ao quarto, e tirou o resto precipitada e desordenadamente, espalhando-a a esmo. Quis ser ela a tirar a minha, e atirou-se a mim quando eu ainda estava meio vestido (ou meio despido…), nem me deixando sequer acabar de tirar as calças e um dos sapatos. No fim, nem sabia onde paravam as cuecas nem a blusa…
Depois, foi uma odisseia incrível, porque nos envolvemos em voltas e reviravoltas, tudo forçado por ela, queria beijar, chupar, mas, quando eu pretendia apontar para lá… isso não, ainda não, porque alegava que tinhamos tempo, muito tempo pela frente. Pretendia manter-me imobilizado em deterrminadas posições, para que desse azo às suas fantasias eróticas, e, em determinada altura, e na sequência das suas imposições, cheguei a pensar, e até a recear, que iria pedir-me o cinto para me amarrar à cama… Mas não.
Não sei como é que o marido reage a estas situações, que são perturbadoras, demolidoras, extenuantes, embora, em sexo, tudo possa ser considerado normal. Esta mulher é tão absorvente, tão dominadora, tão precipitada, tão intrusiva, tão tudo, que qualquer homem se vai abaixo. Como eu fui.
Publicado por Orlando Dias de Carvalho em Jun 02, 2009, em Sem categoria
QUEM ME MANDA SER ASSIM?!…
Aos 43 anos, a vida dela não tinha passado de uma rotineira sucessão de factos sem interesse. E este é o paradigma do que acontece com muitas outras mulheres, casadas com criaturas sem sensibilidade nem gosto e codícia pelos prazeres da vida.
Algumas nascem e morrem assim. Outras não. A estas, basta que lhes surja alguém capaz de induzir sentimentos e emoções estagnadas, e a testa do consorte começa a sofrer modificações estruturais. Com a Lucília foi assim. Apareci eu, e está tudo dito. Daí, passando pelas peripécias intercalares, até ao desfecho previsível, foi um curto passo!
O marido trabalha de noite. Fui buscá-la a casa, a alguns quilómetros de distância. Veio comigo, e, algumas horas depois, foi comigo. Entretanto… Depois deixei-a, sã e segura, onde a recolhi.
Ele, o marido, não tem de que se queixar. Nem deu por nada. E não teve qualquer prejuízo. O único prejudicado fui eu! Tive que andar, de noite, para trás e para a frente, gastei gasóleo, perdi horas de sono… Enfim, sou um camelo!
Publicado por Orlando Dias de Carvalho em Mai 09, 2009, em Sem categoria
OS EFEITOS DE BACO…
O encontro não foi casual. Estava, senão agendado, pelo menos sugerido há muito, mas imponderáveis relacionados com a vida familiar dela, dilataram no tempo aquela esperada ocasião. Aconteceu finalmente, e não houve frustração das expectactivas de parte a parte.
Após um aperitivo, fomos jantar. A refeição decorreu agradável, e a conversa também, porque o ambiente sereno e acolhedor do local contribuiu para isso. O vinho que pedi para mim era bom. Ela não estava habituada a bebidas alcoólicas, e esse poderia ser um trunfo a explorar… Convencê-la a provar um pouco daquele saboroso nectar não foi fácil, mas foi bebericando pequenos goles, embora com alguma relutância.
Tinha um decote bem delineado, que deixava prever uns seios cheios, redondinhos, tamanho proporcionalmente adequado à estatura. O corpo era um pouco desengonçado, mas bem proporcionado e sensual. A postura e a forma de expressão faziam transparecer cultura e charme.
Recebeu uma chamada no telemóvel. Era o marido, que, naquele dia, estava ausente, o que permitiu estarmos ali. Ele transmitiu-lhe palavras de carinho e de apreço, e fez-lhe notar o quanto a amava. Havia razão para isso, porque tinha uma mulher linda e apetecível. Gostava dela. Eu também!
A refeição e a conversa continuavam, mas nada nela, até ao momento, fazia adivinhar qual seria a sua reacção a uma possível investida de minha parte. Fazendo aparentar casualidade, toquei com o meu sapato nos dela, mas limitou-se a recuá-los um pouco. Algum tempo depois, quando pegava no pão, dirigi também a minha mão para o mesmo sítio, e sobrepus a minha na dela, para ver a reacção. Tranquilamente retirou-a, e continuou a conversar com descontração e desenvoltura. Palavras subtilmente subentendidas da minha parte, também não a tinham impressionado até à altura. Nada resultava, nem sequer o vinho, a que não estava habituada, e cujo copo eu enchi para além do protocolar, mas no qual ela quase nem tinha tocado. Bebia, mas pouco.
Trair o marido – dizia ela em resposta a uma pergunta maliciosa de minha parte – nunca o tinha feito, nem pensava fazê-lo…
Continuavamos a conversar, mas o meu sorriso já ia amarelecendo de desalento e desencanto. Mas, aos poucos, o vinho, mesmo pouco, ia fazendo efeito. Gesticulava mais, ria-se mais, parecia mais permissiva. Hum, será que… será mesmo? - perguntava eu aos meus botões.
Avancei. Encostei, por debaixo da mesa, uma das minhas pernas à dela, conseguindo sentir o calor do seu corpo. E deixou. Aconcheguei uma mão dela entre as minhas, e deixou. Passei-lhe a mão pelos cabelos sedosos… e também deixou.
Acabámos a refeição e saimos. Pus-lhe o braço sobre os ombros, e permitiu. Beijei-a ligeira e docemente no rosto, e não obstou. Apertei-a contra mim… e também não resistiu.
Intencionalmente, e já com as emoções a grande altura, perguntei se queria sentar-se um pouco dentro do meu carro, e, como não levantou qualquer objecção, assim fizemos. Achei que aquilo ia ser tão fácil como faca a entrar por manteiga derretida…
Meti o braço por trás do seu pescoço, puxei-lhe a cabeça, e beijei-a na boca. Além de permitir, ainda colaborou. Era, certamente, o efeito progressivo da ingestão do vinho a actuar, e a fazê-la sentir-se desorientada e eufórica…
Logo de seguida, agarrou-se a mim, e começou a morder-me as orelhas. Senti o arfar da sua respiração, e a pressão dos seus rijos seios contra o meu peito. Fui deslizando a minha mão pelo seu corpo abaixo, e cheguei ao fecho das calças, que me preparava para abrir…
De repente, senti algo contundente bater-me no rosto, uma pancada bem forte, que me deixou momentaneamente desorientado, e sem perceber o que tinha acontecido. Instintivamente, pensei em vários cenários: ter-me-ia ela dado uma valente bofetada, e o anel, grande e sobressaido, que trazia no dedo, ter-me-ia acertado em cheio? Seria que, sem eu dar por isso, tinha tirado o sapato, agredindo-me com o salto, alto e pontiagudo? Que raio me terá feito ela?
Acordei com uma dor intensa no rosto, e com o olho direito dorido e aparentemente inchado. Doia-me a cabeça, e não estava a sentir-me bem. A pancada na mesa de cabeceira, ao mexer-me durante aquele sonho agitado, deve ter sido fortíssima!…
Publicado por Orlando Dias de Carvalho em Abr 02, 2009, em Sem categoria
POR AÍ NÃO VOU!!!
Mantenho uma relação displicente, embora comprometida, com a morte. Tenho medo dela, e ela tem medo de mim. Respeitamo-nos mutuamente, fazendo prevalecer o equilíbrio do terror. Por acordo tácito entre as partes, provavelmente viverei até aos noventa anos… se, entretanto, não morrer antes.
O meu corpo, após o colapso, e já que, como toda a gente, não tenho alma, não será enterrado, pois foi já doado, há muitos anos, para investigação médica. Foi uma forma de trocar as voltas às convenções, que rejeito liminarmente, às convicções de determinadas criaturas, que também não aceito, às tradições religiosas, que repudio, e à vontade de muita gente, que pretende ver o meu corpo, coitadinho, de quem tenho cuidado com dedicação e esmero, reduzido, o mais depressa possível, mas, se não for antes, pelo menos naquela altura, à singela condição de suculento repasto para os bichinhos… Não, por aí não vou!
Não vivo neste mundo, sobrevivo num anexo dele. E, para não me incomodar, com os habitantes da outra parte do planeta tenho apenas um relacionamento tolerante, frio e distante. Refugio-me num autismo estudado, em dissonância com todos os conceitos predefinidos, com a lógica e com a falta dela, com a existência e com a desistência, porque já levei muitos pontapés nos tomates, que me fizeram rugir de dor. Por isso, mantenho-me afastado, aparentemente desatento, desconfiado. Não quero misturas!
Penso de forma diferente, e manifesto essa diferença até nos pequenos gestos, nas mais insignificantes atitudes, na forma de encarar as coisas pequenas, com as quais não me preocupo mas a que dispenso atenção, porque é, afinal, o conjunto desses ingredientes que dá sabor à vida. Dizem que sou estranho e enigmático, mas apenas porque não deixo que penetrem no âmago das minhas cogitações. Estou sempre atento e interessado, falo muito quando entendo, digo pouco quando me convém, mas ninguém saberá o que quero dizer.
Nascido intelectualmente do equívoco e da inconstância, segui sempre o rumo cambaleante da incerteza, e morrerei, um dia, satisfeito por chegar ao patamar da notoriedade, sem que tenha feito muito por isso. Emergi, desde cedo, da mediocridade e da vulgaridade, com as quais nunca me identifiquei, e previlegiei a rotura com o pensamento alinhado e previsível. Por isso, ninguém compreenderá nunca a complexidade do meu raciocínio. Nem eu.
Publicado por Orlando Dias de Carvalho em Mar 27, 2009, em Sem categoria
AFINAL, GOSTA OU NÃO?
Olá! Então, está cá de novo? Não era você que dizia que este Blog era uma merda, que nunca mais cá viria, que eu só dizia parvoíces, que era inculto, tarado, parvo, paranóico?
Vou dizer-lhe uma coisa: eu estava mesmo à sua espera! Já cá esteve outras vezes, disfarçadamente, mas, como vê, ninguém lhe chamou a atenção, nem criticou, porque todos são desejados. E pessoas como você, essas sim, ainda são mais estimadas e respeitadas.
Ainda ontem, quando aqui esteve, e pensava “Este gajo é parvo! Quem pensa ele que é?”, eu estava mesmo atrás de si, e sorri ainda mais quando ouvi murmurar, abanando a cabeça, à medida que ia lendo: “Ele é maluco, diz coisas que não passam pela cabeça de ninguém”… “e deve mesmo ser tarado, só pensa em mulheres”… “tantas faz que, qualquer dia, acaba a levar no cú”… “é mesmo sacana, este filho da puta”… “porque será que as pessoas gostam de ler isto?”… “este Blog é mesmo uma merda, mas até gosto de ler isto!”… Depois, quando reconheceu que, com tanto para fazer, não consegue deixar de vir dar uma espreitadela, sempre à procura de novidades, esquecendo tudo, eu senti-me realizado, porque se comprova que mobilizo as pessoas, mexo com elas, incomodo-as, irrito-as, enfureço-as, mas também as sensibilizo, alegro, motivo, estimulo, satisfaço.
Portanto, continue a vir. Não está só. São muitos, diariamente, nos quatro cantos do mundo. E serão cada vez mais!
Se me perguntar se é disto que gosto, dir-lhe-ei que não. A minha formação cultural e moral não me permitem esta conduta, com desvios de linguagem ou de comportamento. Isto deveria ter abortado à nascença, mas, como já não fui a tempo, nasceu a criatura. Que fazer dela agora, que se tornou tão acarinhada por tanta gente? Não sei, sinceramente não sei! Vou esperar que morra atropelada, negligente ou propositadamente, que sofra doença súbita, ou que alguém lhe dê um tiro, e acabe com ela. Uma coisa é certa: já não tenho paciência para lhe aguentar as birras e o mau feitio por muito tempo!…
Publicado por Orlando Dias de Carvalho em Mar 01, 2009, em Sem categoria
DE CAVALO PARA JERICO…
Não é fácil ser pároco de uma freguesia destas. Por muitas razões, gosto dos animais. São instintivamente inteligentes, enquanto muitos seres humanos são estupidamente instintivos. Eu, influenciado pelas circunstâncias, umas vezes sou parvo, idiota, boçal e cínico, outras muito mais do que isso. Portanto, logicamente, não sou animal… o que até é pena!
Quem mais nos tenta prejudicar são precisamente aqueles que deveriam amar-nos e estimar-nos – os da nossa família. Isto não é uma contradição, é a essência comprovada do comportamento humano. Os animais não procedem assim, são sempre leais.
Gostaria de ser cavalo, porque cavalgadura já sou. Também, por outro lado, e aparentemente em contradição, aspiro a baixar à condição de jerico, mas apenas para deixar de ser burro.
Muita gente me inveja, o que me dá muito orgulho. E tentam usar de todos os meios para me denegrir, dizendo cobras e lagartos, mas eu troco-lhes as voltas. Antecipo-me, tiro-lhes o tapete, deixo-os sem argumentos. Permito que eles tenham o prazer de dizer o que entenderem, para poderem satisfazer o seu ego, exteriorizar a sua revolta, manifestar o seu desencanto, destilar o seu ódio. Mas retiro-lhes a surpresa, corto-lhes o ensejo de serem originais, suavizo as mossas, diminuo o impacto, e torno relativa a importância do objectivo. Antes que eles digam mal de mim, digo eu!
Publicado por Orlando Dias de Carvalho em Fev 10, 2009, em Sem categoria
NÃO PENSO, LOGO NÃO EXISTO!…
Eu não existo. Sou apenas um produto da imaginação das pessoas. Quem pensa que me vê, que me toca, que fala comigo, está enganado. Quem está a escrever este artigo não sou eu, é o fantasma da minha essência.
Sendo o nosso planeta, não uma criação divina, mas um produto da evolução progressiva e milenar da matéria, foi havendo resultados positivos e resultados negativos, derivados do melhor ou pior aproveitamento dos compostos químicos da massa de proveniência anterior.
Daquilo que foi melhor elaborado, sairam as coisas belas, harmoniosas e agradáveis, que tornam a vida na terra um prazer. Daí também vieram as mulheres, algumas delas. Depois, ainda dos resquícios resultantes dos desperdícios da confecção, daquilo que já não era mesmo aproveitável para nada, saí eu.
Se me dão alguma importância, se estão convencidos que existo, se pensam que valho alguma coisa, é apenas porque eu sou um equívoco, e induzo em erro. Reparem melhor, e, para além da fragilidade da minha consistência, verão que nada mais há. Eu sou nada!
Publicado por Orlando Dias de Carvalho em Jan 11, 2009, em Sem categoria
ANTOLOGIA DE PARVOÍCES…
O Diabo, esse filho da puta, não tem pedalada para mim – eu sou pior que ele. Já o desafiei muitas vezes a lutar comigo, a derrotar-me, a destruir-me, a matar-me, mas ele só tem garganta, e nada consegue fazer. Nem pode! Ele não existe.
Não quero que o outro, o tal, aquele que me manda recados ameaçadores, que diz cobras e lagartos de mim, que promete chacinas e destruição total, fique aborrecido comigo, muito menos que me chateie. Também não tenta, e, embora naturalmente furioso e irritado, mantem-se quieto. Já lhe basta o peso dos cornos que traz na testa.
Eles, os outros, não sabem como é que me hão-de foder. Nunca o conseguirão, porque vejo mais com os dois olhos fechados do que eles com os três bem abertos!
Se eu conseguisse sublimar, gradativamente, as minhas qualidades morais, atingiria a perfeição total, e, no cume da progressão, tornar-me-ia Deus. Mas não pode ser – só há lugar para um, e o outro chegou primeiro.
Tenho objectivos bem definidos na vida. Entre ser e não ser, prefiro nem uma coisa nem outra, porque é mais comodo.
Nem sempre as coisas têm o significado e o valor que se lhes atribui. Ser estúpido até pode não ser mau. Eu faço-me de parvo muitas vezes, e só ganho com isso.
Muitos acham-me inteligente e astuto. Estão completamente enganados! Sou bastante iletrado e iliterado, só que manipulo tudo e todos, movimentando-me sabiamente no campo do “bluff”, fazendo crer no incredível, e acreditar no incrível. Isso não é inteligência habilidosa, é habilidade inteligente.
Se eu me deixasse embalar nos braços acolhedores e aconchegantes da lógica, até poderia ter tido um percurso fácil e sem escolhos, mas hoje seria um ser comandado, automatizado, inerte. Vou por caminhos sem rumo previamente definido, ao sabor das imponderabilidades, cortando as curvas por dentro, pisando os traços contínuos da vida, mas sei o terreno que piso. E, assim, chego onde quero, e onde muita gente não queria que eu chegasse.
Alguém conseguiu perceber onde é que eu queria chegar? Sei bem que não, todavia, ao lerem o que escrevi, até chegaram a pensar que sei bem o que digo, não foi? Pois, mas o que acontece é que eu também ainda não consegui compreender nada. Sabia apenas que tinha que escrever alguma coisa, mas não sabia o quê… Consigo ser um bom manipulador, ou não?
Quando eu andava a estudar (porque, embora não pareça, eu até estudei…), todos achavam que iria longe. E fui! Não sei onde, mas fui…